sábado, 3 de março de 2012

Gararu, Álbum de Sergipe de Clodomir Silva, ano de 1920

    GARARU

     A actual villa do Gararu é situada á margem direita do rio S. Francisco em um terreno de formação primitiva em o qual se notam, de vez em vez, vestigios de períodos históricos antigos, sendo encontradiços, alli como em toda a circumvizinhança fosseis e pequenas pedras fossilizadas, sendo bastante conhcecidos um fóssil que se encontra no Museu Nacional, e outro que, há tempos foi enviado ao Instituto Historico e Geographico deste Estado.
     A freguezia de N.S Bom Jesus dos Afflitos do Curral de Pedras, de simples capella que era foi, pela Resolução nr. 473 de 28 de Março de 1857, transformada em sede da fraquezia de N. S. da Conceição do Porto da Folha, durante o espaço de 7 annos. Em 10 de Abril de 1875, pela Resolução nr. 1.003, foi tornada, definitivamente, frequezia, desmembrada da de N. S. da Conceição da Ilha do Ouro, sendo essa a linha de seus limites:

“ Principiará na margem do rio S. Francisco, no riacho Anningas de baixo, rumo direito do Atalho, dahi á lagoa da Vacca, dessa á travessa da casa de Antonio Pernambuco, e seguindo em direitura á cabeceiras do Barreiro da Pedra, seguirá por ele até o riacho Gararú; por este riacho seguirá até a foz do riacho Fivella, desse ás suas cabeceiras, dahi linha certa ás cabeceiras da Gruta, onde se acha collocado o tanque da fazenda Riacho Grande, e, respeitando sempre as divisões da parochia de Sant’ Anna do Aquidaban, descerá fazendo rumo direito para a pedra do Mocó; dahi procurará a antiga estrada do Bonito para a fazenda Quixaba, e por ella seguirá para a fazenda Lagoa; desta descendo pela estrada que segue para Itabaiana, chegará ao rio Sergipe, e por elle acima seguirá até as fazendas Contenda e Monte Santo; deste ponto partirá em procura das cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até a passagem da Fazenda Olinda, dahi seguirá pela estrada que dá para a fazenda Monte Alegre, em cujo tanque faz rumo direito á fazenda Capivara, na margem esquerda do mesmo riacho e por elle descerá até as cabeceias do riacho Porteiras, pelo qual irá até a margem do S. Francisco; por este segue até encontrar o riacho Anningas de baixo”.
 
Pela Resolução nr. 1.038 de 28 de Março de 1876, foi dada nova limitação á frequezia do Curral de Pedras, a qual ficou assim traçada:

“ Principiará á margem do rio S. Francisco, na foz da Lagoa Escurial, rumo direito ao Ata’ho, desde a lagoa da Vacca comprehendendo esta; de Antonio Pernambuco, ficando esta para a nova freguezia; e seguindo em direitura á cabeceira do riacho da Pedra, seguirá por elle até o riacho Gararú, por este abaixo até o riacho Sovella, até as suas cabeceiras da Gruta, onde se acha colocado o tanque da fazenda Riacho-grande;  e dahi, respeitando as divisões de Sant’ Anna do Aquidaban, descerá fazendo rumo direito para a Pedra do Mocó, e procurando a antiga estrada do Bonito, para a fazenda Quixaba por ella seguirá á fazenda Lagôa, que segue  e descendo pela estrada que segue para Itabaiana, chegará ao rio Sergipe, por esse acima as suas cabeceiras ás fazendas Contenda e Monte Santo, comprehendidas estas; dahi procurará as cabeceiras do riacho Capivara, descendo por elle até a altura das cabeceiras do riacho Porteiras, e por elle abaixo irá a margem do rio S. Francisco, a encontrar o ponto donde partiu”.

Tornou-se villa por força da Resolução nr. 1.047 de 15 de Março de 1877, conservando os limites que já lhe haviam sido assignados, mudando-se o nome para Gararu.

 
LIMNEGRAPHIA

       Lagoa do Escurial, dos Elephantes e da Vacca.

PRODUCÇÕES

   A cultura mais importante das margens do S. Francisco é o arroz; em Gararu a também a cultura de cereais.
Os Criatorios são pequenos.

 Vista parcial de Gararu

COMMERCIO

     O município exporta arroz e cereaes e pelle, principalmente para Propriá; as feiras do local são bastantes animadas e concorridas.

TOPOGRAPHIA

    O terreno em que está situada a villa offerece numa grande parte do município curiosa topograpfia, notando-se que certa parte do rio S. Francisco não terminou ainda sua formação, prova que se tem em a circumstancia de serem encontrados com alguma frequência, não somente no lado de Sergipe, mais também no de Alagôas, vestígios de periodos geologicos revelados por peixes fossilizados e esqueletos de animares antigos.

POSIÇÃO

     Gararu, Curral de Pedras até a sua instalação como villa, acha-se situada á margem direita do rio S. Francisco, num local extremamente aprazível, sendo a villa victima das enchentes do rio S. Francisco logo que as aguas se avolumam, como aconteceu em 1906 e 1919, para falar das mais recentes.

ASPECTO E CLIMA

        O aspecto da villa é encantador, não somente pelo local em que ella se encontra, como pela disposição do arruamento.
O clima é muito agradável no verão, mais ao inverno as febres são frequentes, bem como após a vazante do rio.
POTAMAGRAPHIA

   Rios: S. Francisco, Sergipe, Barreiro de Pedra, Capivara; e riachos Porteiras e Gararu.

VIAS DE COMMUNICAÇÃO

      A grande artéria do S. Francisco que banha Gararu de oéste a léste é o seu mais prompto vehiculo de comunicação.
       O município é servido por uma estação telephonica e uma agencia de Correios de 4.ª Classe.

ESTABELECIAMENTOS

     Publícos tem a igreja matriz, a Agencia Fiscal, e a Collectoria Federal.

 GARARU - Porto - Vapor " Sinimbu"

INSTRUCÇÃO

     As escolas publicas, em numero de 5, têm frequência regular.

DIVISÃO JUDICIARIA

      É sede da comarca de seu nome, que comprehende os termos de Gararu e Porto da Folha , e o destricto de paz de Canindé.

DIVISÃO ECCLESIASTICA

     A frequezia de N. S. Bom Jesus dos Afflictos de Gararu pertence á diocese de Aracaju.


POPULAÇÃO


        Approxima-se de 12.000 habitantes.

POVOADOS

      Bôa Vista, cujos habitantes pescam e criam gado; Bom Sucesso, com criatorio de gado e pequena lavoura; Escurial com criatorios de gado e pequena lavoura; Genipatuba, tambem com pequena  e algum gado; Intans, á margem do S. Francisco, seus habitantes vivem da pesca e de pastoriar; Providencia e N. S. da Gloria, muito importantes.

ESTATISTICA DO MUNICIPIO

     Registro civil no anno de 1917: nascimentos 85, casamentos 42; obitos 1.
Anno de 1918: nascimento 43; casamentos, 72; óbitos, 3.
     Em 1916, 1917, 1918: 6:67$974 ; 7:375$343 ; 5:014$715. Despesa:..........
4:296$900; 5:611$568: 4:718$675.

GARARU- Igreja Matriz

 (Este texto segue na íntegra a grafia do original, ou seja, as normas gramaticais atuais não se aplicam a ele)

Observação. Como estamos no mês da nossa data magna do nosso munícipio resolvi postar esse texto que nossos internautas e seguidores  lendo ele e interpretando ele vai ver que a emancipação politica de Gararu é o dia 15 de Março e não o 28 de Março, fato esse que eu já relatei nesse blog a um ano atrás.   

Fonte: Livro Álbum de Sergipe de Clodomir Silva, ano de 1920
Fotos: Leone Ossovigi
Agradecimento: Agradeço ao Sr. Luiz  Antônio Barreto, pelo o apoio e informações que recebi da sua pessoa no Instituto Tobias Barreto nos dias 23 e 24 de fevereiro do corrente ano.  

4 comentários:

  1. Desde 1984 tento incutir nos nossos administradores municipais e vereadores a correção da data da emancipação de Gararu. Infelizmente não consegui. Sempre tenho argumentado, para um melhor entendimento de "nossos" representantes, o fato da cidade ter a data correta como nome de um de seus logradouros públicos. A rua do antigo quartel (delegacia) chama-se rua 15 de março e não 28 de março, por que razão? Quando comemoraram os 130 anos, durante a curta gestão de Helder, vesti um camisa estampada com a Resolução 1.047 de 15/03/1877. A verdade é que todos eles ou foram reprovados na disciplina "História" ou nunca foram alunos da Profª Olga ou nunca conversaram com o Mestre Moisés.

    Sds.,

    Nailson Moura

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  2. Parabéns!!! adorei conhecer a historia da cidade em q minha mãe nasceu,em minhas proximas ferias já sei pra onde vou,e por gentileza como faço prá encontrar algum parente por ai,pois eu ñ conheço nenhum e nem sei se algum ainda mora por ai,pois minha mãe perdeu contato c/todos apos sua vinda prá são paulo,e eu gostaria muito conheçe-los.

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    1. Olá cara amiga anônima, deixe seu nome, e o nome completo de seus parentes para que possamos localizar, no aguado.

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  3. Meu Pai trabalhou nos Correios em Gararu nos nos 50. Era conhecido como Zé da viúva ou Zé dos Correios e minha mãe, na mesma época foi funcionária do Banco do Nordeste. Moraram nos fundos do antigo Correio e telégrafos ao lado da Igreja, onde hoje está sendo reformado para a Casa paroquial.
    Infelizmente tenho poucas fotos da época. Mas fiquei feliz pela memória da cidade aqui registrada. Parabéns pelo trabalho!

    Joeli Sampaio

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