domingo, 22 de julho de 2012

José Augusto da Rocha Lima

José Augusto da Rocha Lima
         José Augusto da Rocha Lima, professor, escritor e orador, que nasceu em Lagoa Funda, Gararu, antigo Curral de Pedras, em 22 de julho de 1897, e faleceu em Aracaju, no dia 14 de agosto de 1969 aos 72 anos de idade por problemas de vesícula.
          Filho do agricultor Manuel Alves Monteiro da Rocha o fundador da cadeira nº 04 na Academia Sergipana de Letras teve fonte influência religiosa de sua genitora, Laura Alves da Rocha, o que talvez explique a sua decisão pela carreira eclesiástica. Seus pais sobreviviam das plantações de arroz as margens do Rio São Francisco. Especula-se, também que o ardente desejo de tornar um homem de letras não obstante a penúria familiar o teria levado à opção sacerdotal, como forma de aliar a ascensão social às artes do intelecto, o que não constitui fato insótico, haja vista inúmeros exemplos afins. Retornando à infância do que seria um dos mais destacados educadores sergipanos, a perda do pai aos sete anos, aliada à carência de uma família constituída pela mãe e mais quatro irmãos, obrigou-o a pedir proteção na residência de parentes menos desafortunados. Um “nômade” em decorrência das vicissitudes da vida, estudou em Penedo até os 14 anos, tendo inclusive aprendido a tocar flauta e piano. Ingressou no seminário Santa Tereza em Salvador, destacando-se como aluno aplicado e de singular comportamento. Teve porem, que abandonar os estudos em virtude da carência vitamínica “beribéri”, para logo encontrar acolhida na cidade alagoana de Santana do Ipanema, em casa de padrinhos. De volta a Sergipe, e ainda desejoso de entrar para a Igreja Católica, matriculou-se no Seminário Sagrando coração de Jesus, sendo um dos onze que estavam na primeira turma. Ensinou várias línguas - entre elas francês, latim, português-, matérias ligadas à história e geografia-e até disciplinas teológicas, tais como exegese bíblica e teologia dogmática.
          Entre 1918 e 1920, época em que se consagrou padre, Rocha Lima participou do Jornal “A Cruzada”, voz do catolicismo esclarecido, e também do “século XX”, expressão da intelectualidade em geral. Hoje em dia, no que costumamos chamar de tempos modernos, talvez considerássemos insólita a presença de clérigos em ambientes literários e filosóficos. Naquela época, entretanto, eram costumeiros chamar de tempos modernos amenos, entre padres e literatos: a ciência e a região católica, ao que parece, buscavam conviver em saudável equilíbrio, e a própria igreja católica teria facilitado a integração de seus membros nesses espaços laicos precipuamente com o intuito de dificultar o crescimento do socialismo, do espiritismo e do protestantismo, então chamados de “males contra a fé”.
José Augusto da Rocha Lima         Desde 1919, quando tinha apenas vinte dois anos, Rocha Lima já fazia parte dos fundadores da agremiação recreativa denominada “Hora Literária”, tendo sido, inclusive, seu primeiro presidente da ALS durante o biênio 1929-1931. Amante incondicional do magistério, ensinou na Escola Normal a partir de 1926. Cumpre-me referir que Rocha Lima decidiu abandona o sacerdócio em 1930, o que ocasionou surpresa, uma vez que, alem de destacar-se nas funções eclesiásticas ele tão somente contava com uma década de emprego da batina. Motivo de comoção, no mesmo ano, diante de uma sociedade provavelmente escandalizada, noticiou-se no Jornal da Manhã de 25 de abril de 1930, o seu casamento com a Sra. Louralina Lima Macedo. A reintegração à igreja católica somente ocorreria três décadas após, quando sobre influência de uma linha mais liberal emanada do concilio Vaticano II, o casal por intermédio de D. Távora, receberia autorização de casar-se em cerimônia religiosa. Uma vez abandonada a fase clerical, Rocha Lima pôde, livremente, dar plena vazão à carreira humanística. No ano seguinte, em 1931, já estava a viajar para São Paulo, onde ficou cerca de dois meses, buscando aprender novas metodologias de ensino. O fruto dessa viagem foi uma renovação educacional em nosso estado, que almejou a pedagogia paulista. Tal ordem eram as expectativas sergipanas, que todo o processo, ou seja, a ida de Rocha Lima para São Paulo, sua e regresso, foram devidamente registrados e comentados pele nossa imprensa. Ao retornar, foi nomeado Diretor Geral da Instrução de Sergipe - cargo correspondente ao de Secretario de Estado da Educação, um cargo voltado para o aperfeiçoamento da educação pública. Após dez anos nesse oficio, exerceu a função de diretor do Colégio Ateneu  (1942-1944). No período 1941-1945, cumpriu o mandato de presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe por dois biênios seguidos. Em 1955, com aposentadoria, passou a residir em Salvador, a fim de ficar próximo de suas filhas Luzia Augusta e Lívia, já se encontravam naquela capital fazendo os cursos de Direito e Medicina.
          Rocha Lima novamente retornaria a Aracaju, desta vez para ingressar como aluno na recém-criada Faculdade de Direito, e depois graduar-se bacharel em Salvador, cidade onde conciliou o exercício da banca de Direito com o magistério. Embora tenha redigido inúmeros artigos, editados em revistas, poderíamos citar os Pais na Vida Moderna e Getulio Vargas, O Problema do Ensino Primário e Secundário, Um passeio pela Literatura Francesa, Rui Barbosa e a Língua Portuguesa, e as Prisões. Adicionalmente, não deixaremos de mencionar o discurso de saudação ao professor Michel Simon, eminente intelectual da França, proferido em francês em 12 de março de 1948 na Sociedade de Cultura Franco-Brasileira. 
          Em resumo, a carreira e a vida de José Augusto Rocha Lima, pode ser traduzida como o incessante enfrentamento de obstáculo e a superação de conflitos, tais como a alienação vinculada aos desfavorecidos e a educação com privilégio das elites. 

Resumo Biografico
                                                              
          José Augusto da Rocha Lima nasceu em 22 de julho de 1897, em Lagoa Funda, Gararu, Sergipe, filho dos agricultores Manuel Alves Monteiro da Rocha e Laura Alves da Rocha, sobreviviam da plantação de arroz as margens do Rio São Francisco, após a morte do seu pai, foi morar em Penedo – AL, logo depois foi conduzido ao Seminário de Santa Tereza na Bahia em 1911, permanecendo nesse Seminário por menos de um ano. Já em 1913 estava entre os onze alunos matriculados no Seminário Coração de Jesus. Ingressou como Professor Catedrático na Escola Normal em 1926, alguns anos depois, deixa o sacerdócio e casa-se com Loralina Lima Macedo. No ano de 1942, assumiu a Direção do Atheneu Sergipense, permanecendo nessa até o ano de 1944. No ano de 1941 foi eleito presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe sua gestão foi entre 1941-1945 Após a fundação da Faculdade de Direito de Sergipe, foi aprovado nessa com nota 10, em 1955 transferiu-se para Bahia onde terminou o Curso de Direito em 1958. Na Bahia passou a viver com a aposentadoria como professor e com as aulas na Escola Nossa Senhora Auxiliadora onde lecionou até 1964. Aos 72 anos de idade faleceu por problemas de vesícula no ano de 1969. 

Homenagem póstuma de Gararu

       No ano de 1972 após 3 anos do falecimento de José Augusto  o secretario geral da prefeitura de Gararu Elysio Araújo presta lhe uma homenagem a José Augusto da Rocha Lima colocado seu nome em uma escola.

inauguração da Escola Cenecista Professor José Augusto da Rocha
Na foto inauguração da Escola Cenecista Professor José Augusto da Rocha, na foto da esquerda pra direita as filhas de Rocha Lima,  Cleovansóstenes Pereira de Aguiar diretor do CNEC Sergipe e Roberto Araújo Prefeito Municipal de Gararu 1971-1972.

Povoado Lagoa Funda
 Vista parcial do Povoado Lagoa Funda, onde nasceu José Augusto da Rocha Lima.

Povoado Lagoa Funda
Lagoa Funda vista do Satélite, povoado onde nasceu José Augusto da Rocha Lima.

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